Pela morte de meus sentimentos.
Já é tarde da noite e o sono nem próximo de dar as caras, acho que ele gosta de se perder em meio ao caminho observando o céu estrelado vívido e livre de nuvens de uma madrugada de domingo, nesse curto ou longo espaço de tempo que, caia entre nós, é massacrante. Os pensamentos involuntariamente se lançam num precipício escuro das vielas de minha atual e atormentada mente e se perdem em meio à escuridão maciça. Em meio a fúnebres sentimentos que um dia já me causaram euforia e me remetiam a pessoas e objetos que hoje já não me trazem nenhum contentamento, paro e passo a olhar para o passado e tento encontrar o exato momento onde tudo se perdeu e o amargo sabor do envenenamento de puros e juvenis sentimentos ocorreu.
É vazio e solitário, me sinto perdido, será que é assim quando nos tornamos adultos? Somos obrigados a ver o assassinato de um sentimento por vez sempre que algo perde o brilho de forma brusca e sem sentido? Ou é apenas efeito do envenenamento trazido pelo tempo? E logo o brilho ofuscante voltará e tudo tornará a seu eixo igual à antes? Por algum motivo essa opção não é tão sonoramente agradável como deveria... Algo morreu em mim e acho que dessas cinzas não renascerá uma fênix... Não mais. Levanto-me em meio à madrugada, já virou rotina creio eu. Caminho pela sala ouvindo apenas o som dos meus próprios passos em direção a outro cômodo e me deparo ao fundo com um espelho que reflete alguém desconhecido aos meus olhos, quem será aquele? Não me lembro de outrora de tal figura. Olhar vazio e vago olhando e se refletindo em seu próprio vazio.
-Quem é você? Onde foi parar aquele que antes ocupava essa silhueta? Quem é essa casca vazia, sem sonhos, sem perspectivas sofrendo de uma profunda crise existencial? O que aconteceu com o garotinho cheio de vida, sonhos e sentimentos de alguns anos atrás? Mesmo ficando horas esperando uma resposta suponho que ela não virá de um reflexo difuso visto sob a luz do luar que se aventura dentro do cômodo por frestas na janela e telhado.
Lá pelas tantas do finalzinho da madrugada o perdido sono vem me visitar, enquanto um lamentar silencioso ocupa o vão de um quarto escuro, e em meio a um silêncio mais profundo ainda durante a inumação de sentimentos doutra hora, fica o desejo que algo renasça e ocupe a lacuna deixada por aquilo que se foi, na esperança de novas sensações de euforia e contentamento de um passando distante, mas tão vívido que parece que foi ontem. E que o sono me traga sonhos, que esses sonhos me tragam perspectivas de futuro, e que nesse futuro ajam mais nascimentos do que funerais sentimentais.
[...]

2 comentários:
Gostei muito do texto, ele nos trás uma certa melancolia, mas isso não é ruim ! Ele é verdadeiro,é fato ! Acredito que todos nós passamos por tais indagações que o texto nos remete...Gostei muito desse texto ! Muito mesmo, talvez por está passando por tal crise existencial isso é algo normal, faz parte do processo de maturidade...Passando de apenas jovens à jovens adultos...Será que crescer é isto ? Bem,eu ainda não tenho minha resposta,mas acredito que a vida apesar de dura...Vale muito à pena.Basta apenas encontrar um sentido nela, é difícil eu sei, mas não é impossível devemos fazer coisas das quais gostamos, viver rodeados de pessoas que querem o nosso bem, que nos incentivam nos apoiam ...Bem é isso...Amei o texto !
Bem, não diria que crescer doi, resistir a tal evolução que causa o desconforto, querer manter sempre a mesma carapaça cujo já não te cabe mais te enche de frustrações, medo e anseios. Então o que nos trás medo, não é o crescer, talvez as mudanças que nos vem com tal crescimento
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