quarta-feira, 21 de maio de 2014

0

Nem certo, nem errado



O dia já havia amanhecido triste. Chovia lá fora e o barulho da água martelava as emoções que a pouco já não mais incomodavam. Era apenas mais um dia, o que poderia ter de mal em se viver nele? O fato é que nem o mal havia, somente memórias, emoções que resolveram ressurgir no vazio entrecortado pela dança das águas. Não era vento, portanto não havia tempestade. Nem trovões tampouco os relâmpagos que me faziam tremer por dentro. Não era nada disso, era pior. Era o silêncio sendo quebrado pelas lembranças de promessas desfeitas, onde na verdade, estas nunca deveriam ter existido. Mas somos assim não é mesmo? Acreditamos naquilo que nosso coração determina ser o certo, e quando enfim ele é quebrado, há somente a razão nos cobrando por a termos abandonado.
Então a gente tenta fugir, para longe de tudo aquilo que se viveu, mas que agora já não mais se quer lembrar que um dia existiu. É ignorar e tentar viver á deriva de seu próprio ser, pois este nos afoga e já não mais sabemos como nadar, como se tudo não passasse de um sonho que agora se desfez.
Existindo apenas. Ocupando um mero espaço no tempo sem a menor perspectiva de futuro com o que se está vivenciando. As horas se arrastam e as angústias apenas aumentam. Nem ao menos os lados existem e não se tem para onde olhar. É vazio, monótono como se não houvesse mais sentido. Habitar um espaço no qual não se é possível mais reconhecer torna tudo desprovido de significados. São olhares diferentes, vozes sem entonação e o clima pesado pairando sobre tudo. Não quero conversas, e nem explicações. Não preciso que me digam qual o certo e nem o porque devo continuar. Estou farta dessa falsa importância, desses gestos ensaiados e de todo esse papo furado que falam por aí.
Quero meus planos, meus sonhos e minha incontestável relutância em aceitar o comum. Quero as palavras dando vida aos sentimentos não expressados e ás vozes não escutadas. Quero meu silencio e meu barulho. Minha letra e meus rabiscos. Meu som e meu eco, e todas as ondas que ele puder transmitir. Quero tudo isso porque sinto que vem de dentro, que é meu e que ninguém pode roubar de mim. Porque esse foco me pertence e sem ele perco a luz, erro a direção.  Tentando fazer de tudo para agradar os outros percebi que meu "nada" me agrada muito mais.
Talvez eu siga assim acreditando mais em mim, ou apenas deixando de confiar mais nos outros.


Comente usando o Facebook, (pode não funcionar no Firefox). :

Nenhum comentário: