quinta-feira, 29 de maio de 2014

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Crônicas de um Perdido I


Pela morte de meus sentimentos. 


   Já é tarde da noite e o sono nem próximo de dar as caras, acho que ele gosta de se perder em meio ao caminho observando o céu estrelado vívido e livre de nuvens de uma madrugada de domingo, nesse curto ou longo espaço de tempo que, caia entre nós, é massacrante. Os pensamentos involuntariamente se lançam num precipício escuro das vielas de minha atual e atormentada mente e se perdem em meio à escuridão maciça. Em meio a fúnebres sentimentos que um dia já me causaram euforia e me remetiam a pessoas e objetos que hoje já não me trazem nenhum contentamento, paro e passo a olhar para o passado e tento encontrar o exato momento onde tudo se perdeu e o amargo sabor do envenenamento de puros e juvenis sentimentos ocorreu.
   É vazio e solitário, me sinto perdido, será que é assim quando nos tornamos adultos? Somos obrigados a ver o assassinato de um sentimento por vez sempre que algo perde o brilho de forma brusca e sem sentido? Ou é apenas efeito do envenenamento trazido pelo tempo? E logo o brilho ofuscante voltará e tudo tornará a seu eixo igual à antes? Por algum motivo essa opção não é tão sonoramente agradável como deveria... Algo morreu em mim e acho que dessas cinzas não renascerá uma fênix... Não mais. Levanto-me em meio à madrugada, já virou rotina creio eu. Caminho pela sala ouvindo apenas o som dos meus próprios passos em direção a outro cômodo e me deparo ao fundo com um espelho que reflete alguém desconhecido aos meus olhos, quem será aquele? Não me lembro de outrora de tal figura. Olhar vazio e vago olhando e se refletindo em seu próprio vazio.
    -Quem é você? Onde foi parar aquele que antes ocupava essa silhueta? Quem é essa casca vazia, sem sonhos, sem perspectivas sofrendo de uma profunda crise existencial? O que aconteceu com o garotinho cheio de vida, sonhos e sentimentos de alguns anos atrás? Mesmo ficando horas esperando uma resposta suponho que ela não virá de um reflexo difuso visto sob a luz do luar que se aventura dentro do cômodo por frestas na janela e telhado.
   Lá pelas tantas do finalzinho da madrugada o perdido sono vem me visitar, enquanto um lamentar silencioso ocupa o vão de um quarto escuro, e em meio a um silêncio mais profundo ainda durante a inumação de sentimentos doutra hora, fica o desejo que algo renasça e ocupe a lacuna deixada por aquilo que se foi, na esperança de novas sensações de euforia e contentamento de um passando distante, mas tão vívido que parece que foi ontem. E que o sono me traga sonhos, que esses sonhos me tragam perspectivas de futuro, e que nesse futuro ajam mais nascimentos do que funerais sentimentais.

[...]

quarta-feira, 21 de maio de 2014

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Nem certo, nem errado



O dia já havia amanhecido triste. Chovia lá fora e o barulho da água martelava as emoções que a pouco já não mais incomodavam. Era apenas mais um dia, o que poderia ter de mal em se viver nele? O fato é que nem o mal havia, somente memórias, emoções que resolveram ressurgir no vazio entrecortado pela dança das águas. Não era vento, portanto não havia tempestade. Nem trovões tampouco os relâmpagos que me faziam tremer por dentro. Não era nada disso, era pior. Era o silêncio sendo quebrado pelas lembranças de promessas desfeitas, onde na verdade, estas nunca deveriam ter existido. Mas somos assim não é mesmo? Acreditamos naquilo que nosso coração determina ser o certo, e quando enfim ele é quebrado, há somente a razão nos cobrando por a termos abandonado.
Então a gente tenta fugir, para longe de tudo aquilo que se viveu, mas que agora já não mais se quer lembrar que um dia existiu. É ignorar e tentar viver á deriva de seu próprio ser, pois este nos afoga e já não mais sabemos como nadar, como se tudo não passasse de um sonho que agora se desfez.
Existindo apenas. Ocupando um mero espaço no tempo sem a menor perspectiva de futuro com o que se está vivenciando. As horas se arrastam e as angústias apenas aumentam. Nem ao menos os lados existem e não se tem para onde olhar. É vazio, monótono como se não houvesse mais sentido. Habitar um espaço no qual não se é possível mais reconhecer torna tudo desprovido de significados. São olhares diferentes, vozes sem entonação e o clima pesado pairando sobre tudo. Não quero conversas, e nem explicações. Não preciso que me digam qual o certo e nem o porque devo continuar. Estou farta dessa falsa importância, desses gestos ensaiados e de todo esse papo furado que falam por aí.
Quero meus planos, meus sonhos e minha incontestável relutância em aceitar o comum. Quero as palavras dando vida aos sentimentos não expressados e ás vozes não escutadas. Quero meu silencio e meu barulho. Minha letra e meus rabiscos. Meu som e meu eco, e todas as ondas que ele puder transmitir. Quero tudo isso porque sinto que vem de dentro, que é meu e que ninguém pode roubar de mim. Porque esse foco me pertence e sem ele perco a luz, erro a direção.  Tentando fazer de tudo para agradar os outros percebi que meu "nada" me agrada muito mais.
Talvez eu siga assim acreditando mais em mim, ou apenas deixando de confiar mais nos outros.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

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Á você!



Olha, hoje eu pensei em algumas coisas e desejei esquecer várias outras. Sabe, não é fácil ser ignorada por quem mais se quer estar perto, tampouco torna-se sem importância esse deixar de lado que tanto me sufoca. Pode parecer besteira, a pior de todas elas falar sobre tal incômodo, ou pode ser a coisa mais séria que eu poderia querer reivindicar.
Há tantos erros cometidos por mim que seria até uma injustiça ressaltar somente os seus. Te irrita quando falo, quando coloco em questão todas as situações nas quais demos de ombros na intenção de deixar pra lá. Na verdade eu nunca deixo, porque não gosto de assuntos inacabados, não suporto ter que fingir um sorriso quando o que mais queria era chorar por mais uma vez você não entender meus motivos.
Fico em silêncio por não querer forçar uma discussão, por saber que tens satisfação em imaginar que aquilo "acabou". Sou falha sabe. Eu sei que você sabe, e como... Só não sei se descobriu que mesmo em meio a tais falhas continuo querendo acertar por sua causa, continuo me esforçando para abrir mão de minhas razões quando sei que estas por vezes te sufocam.
Mal sabes que uma parte de mim se desfaz quando você me ignora, quando passa a dar atenção a objetos mesmo eu estando ao seu lado. Nem imaginas o quanto me entristeço quando vejo que nosso tempo já não é mais nosso, que seu mundo se distancia do meu mesmo quando EU estou ao seu lado!
Tenho vontade de levantar a voz, de surtar, de olhar pra você e dizer: "Eu estou aqui!"
Meu sangue ferve, a respiração acelera, mas essa alienação logo se desfaz quando percebo que esse não é o caminho, porque na verdade não adiantaria forçá-lo a enxergar da minha forma. Fico em silêncio esperando, mas nada muda.
-Está cansada de mim?
-Não, eu não estou cansada de você, estou cansada das mesmas situações, de ter que falar sempre sobre as mesmas coisas e de te ouvir me dizer que reclamo demais. Estou cansada de falar sozinha e escutar teu silêncio quando sei que tens muito a dizer. Estou cansada de sentir uma culpa que não é minha, e que nem sei se chega a ser sua. Estou cansada de estar cansada.
Queria apenas que os momentos fossem valorizados, que a presença fosse notada. Gostaria que mesmo sem nada pra falar ficasse ao meu lado, que olhasse em meus olhos e percebesse que estou ali, que sentisse minha entrega e soubesse que meus pensamentos são seus e  que nada mais  importa.
Talvez eu pare pra entender teus motivos, talvez eu precise fazer isso na verdade. Ao passo que penso se você fará o mesmo. Porém logo me desfaço da idéia de tentar saber.
Há um motivo pelo qual ainda não desisti, não deixei de acreditar que ele  existe.
Porque na verdade eu só vou parar quando acreditar que não há mais o que ser encontrado.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

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RENOVAÇÃO




É escuro... Frio... Desconcertante.
Não há nada ali. Não há nem sequer o nada, e mesmo assim contém tudo.
E mesmo com tudo, algo sempre falta. E essa falta diminui, transformando em dor por não mais existir.
Há somente o vazio acumulado em meio a tantas perdas e lágrimas. Então a dor sufoca, ao ponto de já não ser entendida, e ela se afoga dentro de todas as lamentações.
 Não há ninguém ali. Não há sequer seu próprio eu. Foi embora... Aos poucos, despercebido. Ignorado e desprezado. Sentiu-se inútil e perdeu o brilho. Já não iluminava os arredores, nem ao menos sua própria face. Tornara-se um estranho para si mesmo, então a luz se apagou.
Perguntava-se o que havia acontecido, onde tinha errado que mal teria feito, a quem tivera abandonado. Questionou-se a tudo o que poderia ter acontecido e se perdeu.
Sentiu-se inútil... Revoltando-se contra si mesmo tentava descobrir o que não lhe parecia ter sentido. Estivera ao lado dos que o procuravam e todos eles o haviam deixado.  Ouvira suas dores, falava sobre esperança tentando convencer a si mesmo que esta ainda existia.
Agora nada disso parecia ter sentido. A muito se esqueceu do que de fato importava, por ouvir o que não vinha de dentro, inundando-se de opiniões desnecessárias.
Desmontou-se em vários pedaços e se desfez de si, precisava visitar os espaços que um dia lhe pertenceram, e acertar as contas que com a própria história.
Chegara a hora de enfrentar seus demônios e expulsa-los definitivamente. Aquietando-se no fundo da sala, tentava deixar a dor passar. Mas ela permanecia inerte. Então pensou: "Talvez seja assim que as pessoas grandes se sentem quando suas verdades são desfeitas e as ilusões chegam ao fim. Ou quando uma criança descobre que seu herói favorito não vai aparecer para lhe salvar."
Era uma pessoa grande com medo da vida, e uma criança com medo do escuro. Seu fim estava próximo, e a angústia o massacrou, suas alucinações passaram a lhe furtar da realidade. Quis a morte como meio de liberdade, como solução para o desafeto, uma ponte que o tirasse do desespero.
Pensou por horas a fio, e também se cansou de pensar, permitiu-se despencar e tocar o chão, sentindo o concreto ferir-lhe o corpo e preferindo mil vezes sua dor física por saber de onde vinha e por saber como curá-la.
Então ele desistiu... De absolutamente tudo. Ficou imóvel, cerrou os olhos e logo adormeceu.
Sonhou com pássaros, estrelas e muita luz. Viu a beleza das coisas e notou que não estava só. Sentiu vontade de voar, estufou o peito e preparou-se para sair do chão, alçou vôo e foi além. Quebrou as correntes que lhe impediam de ser feliz. Ultrapassou as fronteiras de suas loucuras. Deixou o vento levar as incertezas e permitiu-se respirar o melhor que havia em si. Abriu um largo sorriso e se libertou de seu cárcere mental. Visitou lugares, apreciou pessoas, cantou e sentiu que a vida podia ser mais, muito mais. Estava em paz, e logo viu um sujeito caído desfalecidamente ao chão e perguntou-se o que havia acontecido. Ao se aproximar reconheceu aquela face, pois ela lhe pertencia. Teve medo, pois estava feliz e desesperou-se por pensar ter perdido a vida e seu estado atual ser apenas reflexo de uma passagem após a morte.
O corpo sumira, a luz se apagou e então despertou. Em meio a tudo, estava tranquilo, porém confuso. Então lembrara o sonho e se emocionou, teve os olhos imersos em meio às lágrimas advindas das emoções de estar vivo e desejou seguir a luz. Sentiu a necessidade de ser livre.
Em sua caminhada deparou-se com partidas e perdas, teve que dizer adeus a quem não queria deixar, mas não se prendeu a dor, deixou-se sentir e a superar para então receber o que ainda estava por vir. Sorriu por coisas simples e deu gargalhadas com o que não pôde compreender. Aceitou sua limitação e se permitiu errar por não ser perfeito. Esteve feliz pelo tempo que precisava ser feliz e ficou triste por precisar saber-se humano. Deixou de existir e passou a viver de seu jeito, á sua maneira. Podia até não ser notado pelos outros, mas reconhecia a si mesmo e isso lhe bastava. Sabia que não precisava ser perfeito, apenas ser de verdade, e seguiu em frente.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

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Para o meu “Eu” mais velho

Oi “Eu”, aqui é “você” como está ai no futuro?

Tenho tanto pra te perguntar que nem sei por onde começar, Como foram esses teus anos desde então? A gente teve bons momentos? Como foram nossos amores? Ainda temos medo do escuro? Ainda sonhamos como há onze anos? E como está nosso coração? Temos alguém que está cuidando bem dele? Ou será que nada saiu do jeito que eu sonhei pra gente?

É tão estranho falar comigo mesmo, pareço um louco com poucos amigos que não tem ninguém além de mim mesmo pra conversar, bem a gente sempre foi bem quietos mesmo não é? Tô ansioso sabe? Quero muito me ver ai no seu “hoje” o seu ontem é muito chato sabe? Eu vivo com medo da vida que deixo de viver-la, e o tempo parece que ta passando tão rápido que quando eu decidir retomá-la acho que já estarei no seu lugar. Como anda aquela garota que a gente gosta? Eu conseguir me declarar pra ela? Ou vivemos apenas um amor platônico? Espero que não, escrevi uma bela carta pra ela e mais tarde vou tentar entregar depois da aula, você já deve até saber o resultado, espero que tenha sido um bom resultado...
Ei! Ainda somos tímidos? Temos medo de falar como eu tenho? Eu prometi que ia resolver esse problema lembra? Embora minha voz não ajude. Espero que sua voz seja muito legal, quero que seja nossa marca registrada, a minha ainda é fina, parece voz de garota isso me irrita, quem sabe se perdemos a timidez a gente compra um violão e começa a cantar, seria legal dizem que caras que cantam e tocam violão são populares, embora hoje eu prefira ficar ali no meu canto, no meu mundo, tem suas vantagens ser invisível.
E o pai e a mãe? Tão legal? Eles ainda nos prendem para que não saiamos de casa? É chato não é, todos saindo para os lugares legais e eu aqui em casa, só estudando, às vezes eu queria sair mais, saber como é o mundo fora desse lugar, a gente aprendeu a viver? Sempre fomos tardios não é verdade? Espero que eu seja um cara legal no seu hoje, alguém que saiba se colocar no lugar dos outros para nunca, mas nunca fazer com outras pessoas o que não queremos que aconteça com a gente...
EEEEiiiii, como foi nosso primeiro beijo, eu to aqui imaginando quando foi? E como foi? Hahaha eu também to aqui pensando, com quem foi? Espero que ela seja legal, bonita e inteligente, quem sabe seja aquela lá lembra? Quem sabe a gente ta casado com ela, como seria legal isso, ta bom eu só tenho onze anos quê que tem? Eu sonho pela gente ta bom? Por falar nesses sonhos a gente realizou algum? Conseguimos mudar o mundo do jeito que queríamos mudar? Espero que pelo menos o nosso mundo a gente tenha mudado.
Eu ando triste esses dias eu não consigo fazer as coisas como eu quero, a timidez me impede, o medo me impede, nossos pais me impede, sabe às vezes eu quero correr pra longe um lugar que ninguém me impeça de nada, somos livre no seu hoje? Ou ainda estamos presos no mesmo ciclo vicioso de sempre? Eu não quero passar a vida toda assim...
Eu quero que você seja um cara legal ai no futuro por isso não vou me deixar me controlar por essa tristeza, por essa timidez e o que mais venha a me atrapalhar, por isso cuida bem do meu futuro que eu cuido bem do seu presente e quando a gente se encontrar espero que eu seja pelo menos metade do homem que eu sonho ser.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

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Seja a pessoa que gostaria de conhecer



Sobre relacionamentos sempre esperamos encontrar alguém que se encaixe no perfil no qual passamos boa parte da vida idealizando. Tornamo-nos exigentes demais devido ás diversas frustrações sofridas no decorrer do tempo, e alimentamos a idéia de merecermos algo melhor do que aquilo, o que não deixa de ser o certo a se fazer, até porque não precisamos ficar aos cantos sofrendo por alguém que não reconhece o nosso devido valor. Até ai tudo bem. A situação começa a sair de foco quando transformamos essa idéia em um desejo possessivo de exigir mais das outras pessoas.
 Ninguém é bom o suficiente, nada está como deveria ser, parece que as pessoas acabam se tornando cada vez mais desinteressantes, e o tédio toma conta do lugar.
Qual o tipo de pessoa que você gostaria de conhecer?
Inteligente? Engraçado? Visionário? Focado? Que tenha conversas agradáveis? Que te conquiste com pequenos gestos? Que saiba ser surpreendente? Que não meça esforços para te agradar? Que tenha maturidade suficiente para saber lidar com os conflitos?
Então preste muita atenção no que direi a seguir: SEJA A PESSOA QUE GOSTARIA DE CONHECER!
Isso mesmo transforme-se a si próprio nessas qualidades. Reveja seus conceitos, reavalie suas atitudes seus projetos de vida. Abra mão de suas antigas crenças, leia mais, pesquise sobre coisas interessantes, adicione um novo estilo de vida. Adquira qualidades surpreendentes, faça por si mesmo o que esperas que outro venha e faça. As pessoas tendem a se afastar quando percebem que estão sendo cobradas por algo que ainda não são capazes de realizar, quando sabem que algo está além de sua realidade, e em função disso perdem o interesse e vão embora.
Somos diferentes, temos nossas próprias particularidades, e somos teimosos demais para abrir mão só porque alguém não aprova esse jeito diferente de ser. A mudança mais importante que alguém pode fazer na vida é aquela que vem de dentro. Quando conceitos são renovados. Qualidades adquiridas e outras melhoradas. Quando passamos a nos preocupar mais com o que nos faz bem, ao invés de idealizar alguém que cumpra esse papel.
Quando abrimos nossos olhos a essa realidade o mundo á nossa volta se transforma, pessoas passam a nos enxergar com outros olhos. Passamos a ser mais interessantes, o que nos torna seres notáveis e dignos de atenções. Elas acabam se sentindo atraídas por esse diferencial, ao passo que preferem nossa companhia constantemente.
Isso ocorre por que sabem que lhes falta tais qualidades e optam por querer estar perto para saber como funciona, alguns desejam ser iguais, desejam ter para si o que encanta em você. Preferem ficar perto e usufruir de tais encantamentos.
Grande parte dos envolvimentos hoje em dia deterioram-se devido a falta de renovações entre os casais, o que resulta em perca de interesse acentuado e uma busca incessante por alguém que passe a suprir necessidades flageladas. Em função disso, novas decepções passam a surgir de forma mais frequente elevando o nível de frustração que transcende as camadas de interesse dos relacionamentos. 
Esperar demais, idealizar demais, cobrar demais. Estes são os erros mais graves que se pode cometer quando o assunto é manter laços saudáveis e ser agradável para com os outros. Basta apenas uma mudança de pensamento e tudo muda tudo se transforma.
Basta tornar-se a pessoa que gostaria de conhecer, e estas virão até você!

sábado, 23 de novembro de 2013

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Uma carta...

 Oi, quanto tempo faz não é?

Nem lembro pra te falar a verdade, como você sabe não tenho boa noção de tempo, sempre estive no mundo da lua (risos), sempre foi meu defeito. Sabe, queria saber se você está bem onde está agora, espero que sim. Estava me lembrando de você outro dia, de você... De mim... Da gente, me pergunto se existiu a gente. Você me faz falta sabia? Aqueles bons momentos, os momentos que não saem mais de mim, sabe é triste saber que esses momentos acabaram e o tempo nunca vai regressar, se eu soubesse tinha aproveitado bem mais, se eu soubesse tinha feito tudo diferente, se eu soubesse... Não teria te deixado ir sem falar tudo que queria te falar naquela noite sobre o brilho difuso da lua, agora é tarde muito tarde...
Sabe no fim nada importa tudo já não faz mais sentido, nem o certo é mais certo, tudo deixa de ser como era, só o amargo do que não foi feito transborda pelo peito e parece corroer o que ainda lhe resta de vida enquanto lembras o que podias ter feito e não tivestes a audácia de fazer... Só um suspiro no vazio...
E o tempo que deveria curar tudo aquilo que me dilacera por dentro parece aumentar a erosão do meu peito, o abismo parece aumentar ainda mais a cada dia, o vazio a angustia tudo se mistura em uma solução homogênea que parece me afogar por tudo o que não consigo falar...

Sabe... Palavras não pronunciadas quase sempre te sufocam, te estrangulam e explodem de dentro pra fora, sabe... as palavras que eu queria te dizer aquele dia nem escrevendo eu consigo pronunciar, mas agora pouco importa, seriam palavras vazias jogadas ao vento... Você não poderia mais ouvi-las ou lê-las...
Já faz tanto tempo, o tempo que eu podia ter aproveitado contigo se eu tivesse dito tudo o que eu queria ter dito, se não tivesse sido tão imaturo e de forma imatura ter omitido tudo isso que me castiga por dentro, quem sabe tudo seria diferente, é quem sabe, agora não saberei... Não saberemos...
Eu gostava do seu sorriso, do seu cheiro, do teu timbre de voz, era suave agradável, suas longas madeixas, longas e escuras, como a cor do céu à noite. As brincadeiras que só a gente entendia e que foram esquecidas no tempo coisas de nós dois, ou pelo menos minhas, coisas que eu levo e por mais que eu queira jogá-las fora acabam voltando para o local de origem...
Lembro daquele verão, sabe aquele que fomos juntos com o pessoal do colégio? Pra praia lembra? Como foi legal foram às melhores lembranças que podia ter tido com você pena que não foi do jeito que eu queria, pena que não tive a coragem de te dizer tudo o que estava quase saltando de garganta a fora, mas fiquei mudo e mudo permaneci o resto do dia...

Então o tempo passou e ele veio, sorrateiramente, friamente, foi crescendo silenciosamente te envolveu de uma maneira tão veloz e destruidora, quando vi já não podia mais está com você, ele te tirou a liberdade, te levou pra longe de mim tão longe que hoje já não consigo te alcançar, mesmo que eu queira, mesmo que eu deseje com todas minhas forças... É tarde de mais.
Às vezes acho que foi brincadeira do destino, só às vezes mesmo, em grande parte me parece mais castigo divino por não ter sido corajoso o bastante pra te ter pra mim enquanto havia tempo, enquanto ainda era possível... É acho que é castigo, só pode ser, tirar algo tão importante pra mim assim de forma tão brusca e inesperada...

Bem me despeço aqui, a carta já está extensa demais, o que não foi dito é melhor deixar da forma que se encontra, qualquer palavra dita ou escrita ou mesmo imaginada já não podem te alcançar, ou talvez possa vai saber, um fio de esperança diz que sim, espero que sim, eu desejo que sim, é triste muito triste, não saber se sim ou que não.
Espero que esteja bem ai onde se encontra, onde quer que seja este lugar que se encontra, será que consegue me ver daí? Será que ainda lembra-se de mim? Será que sabe quem eu sou, ou quem fui pra você? Eu fui algo pra você? Fui, não fui? Não saberei mais, te perdi pra algo que não posso lutar, e eternamente vou me lamentar por isso, talvez se eu não tivesse sido tão covarde ao menos poderia ter tido bons momentos, bons momentos que não serão mais recuperados... Apenas suspiros no vazio...

Um até logo daquele que sempre te amou em segredo e em segredo sempre te amará mesmo que este amor não seja mais capaz te de alcançar...